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quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Ele já foi cremado. O personagem Deus Ex Machina morreu para dar lugar a mim: Ser real

Ele já foi cremado na linha do tempo.
Começa agora o inventário.
O convite para o inventário velório foi enviado para várias pessoas e ai o computador exigindo que ele provasse  que não ser um robô ou um Deus Ex Machina....então tá..na verdade ele era obrigado a provar nada a não ser atentar para os sinais alguma coisa, ele apenas podia,,não devia atender a qualquer expectativa de quem que seja...,registrar ár
As cinzas serão jogadas no Lago do Parque Botafogo assim como era seu desejo
Do alto de uma moreira árvore cujos galhos se estendem sobre o lago segundo ele deixou registrado num papel











A traduzir essa obra que ele deixou



Atualização - 14/02/14

Depois de uma saraivada de textos na linha do tempo, hoje estou é afim de ficar quieto, estou down
Nesta noite tive a seguinte revelação de sonho
A frase "Salvar o diabo" e 3 imagens: Uma reunião, pessoas num auditório sob uma luz encarnada; a chaminé de uma fábrica soltando tufões de fumaça, a poluição; sósias mascarados black  blocs quebrando prédios públicos com uma picareta...
Não sei o significado disso, também nem tô querendo saber traduzir compreender nada
Inté.
.
....
Momento Conhecimento

Mas Wanderley explica traduz o significado de Caim.

A violência usurpou a democracia

Sim, há algo de podre na política brasileira, mas enganam-se os que presumem que a podridão esteja só no Legislativo ou que de lá provenha.

Wanderley Guilherme dos Santos, na Carta Maior
Arquivo

Há algo de podre na política brasileira. O discurso do ódio contaminou a cultura. A violência física que assusta não é mais condenável do que a degradação pela palavra. Introduzido durante os debates da Ação Penal 470, a televisão propagou Brasil a fora o escárnio como argumento, a salivação como prova irrefutável e a falta de compostura de alguns magistrados como aparte retórico. Surpreendente a cada dia, durante todo o segundo semestre de 2013, os indiscutíveis mestres do STF, solidamente preparados, transformavam-se em arengueiros pernósticos a vociferar vitupérios em latim, em alemão e em inglês. À língua portuguesa reservaram-se rebuscadas construções gramaticais com que degradavam de modo vil os réus em julgamento. O valor intrínseco das evidências, muita vezes nulo, era irrelevante para o altissonante juízo que os homens de capas fúnebres proferiam.

Foi negado aos acusados a preservação última da dignidade de pessoa, a mesma que foi concedida ao assassino de Tim Lopes, Elias Maluco, ao ser descoberto: “prende, mas não esculacha”. Com linguajar de estilo maneirista, as capas fúnebres do Supremo Tribunal Federal esculacharam quanto quiseram os réus da Ação Penal 470 perante uma audiência nacional, nela incluídos os “Elias Malucos” em liberdade. E continuam, buscando proibir que sejam depositários da solidariedade de cidadãos e cidadãs em pleno gozo de seus direitos civis e políticos. Não podendo oficialmente matá-los ou bani-los, apostam impor-lhes o ostracismo. É o discurso da vingança impotente movido a ódio.

O estímulo ao linguajar desabrido e ao julgamento apressado e irrecorrível encontrou na já virulenta blogosfera a ecologia apropriada para reprodução cancerosa. Com a ferramenta do anonimato e a indulgência prévia a qualquer desvario, o Caim em nós desabrochou com velocidade sônica. A filosófica vontade de morte, a definição humana de um ser para morte, revela-se menos conceitual e inocente na real inclinação para matar. A internet veicula milhares de assassinatos virtuais e de convocatórias à destruição. Sem não mais do que o subterfúgio de códigos primários, quando muito, ações predatórias são incentivadas a qualquer título. É total o descompasso entre avanço social e econômico do País e as toscas bandeiras eventualmente desfraldadas. Na internet ou nas manifestações selvagens até mesmo os partidos radicais perdem importância. Não são eles que se aproveitam da turba para propaganda e crítica ao governo, é a violência irracional que se serve deles como escudo e defesa ideológica.

As antigas irrupções de quebra-quebra, de confronto entre polícia e manifestantes, e até mesmo episódios de grande magnitude, como a destruição das barcas em Niterói, no século passado, não têm parentesco próximo com o vírus do ódio contemporâneo. Aquelas eram manifestações tópicas, de enredo conhecido e de duração previsível. Estas são projetos de vida e morte. Tempo mal empregado o debate sobre a responsabilidade partidária dos confrontos atuais. O novo é a capacidade de mobilização a-e-trans-partidária das convocações subliminarmente homicidas.

A agressão pela palavra é companheira da agressão à palavra, à linguagem. A amputação da língua portuguesa tem sido o resultado não antecipado da linguagem de Caim. São as frases, os verbos, as concordâncias as primeiras vítimas de todos os blocos de suposta vanguarda. Essas agressões são antigas, mas da blogosfera estão sendo trasladadas ao vocabulário jornalístico e da televisão. Não só os textos de colunistas, repórteres e comentadores trazem conteúdo hiperbolicamente crítico, mas o vocabulário que utilizam é vulgar e de cada vez mais miserável. Não mais m..., pqp, fdap ou c......o.
Agora, intelectuais e jornalistas se esmeram  por extenso na vulgaridade da frase e na crueza dos termos. É uma violência à palavra, ajudando a violência pela palavra, destruindo importante fonte de transmissão de cultura. Não se aprimora o aprendizado da língua portuguesa lendo os jornais, as revistas, seus colunistas e editoriais rasteiros. Tornaram-se tão decadentes quanto o ressentimento que difundem.  Nem se discorda mais, se ofende. A violência está usurpando a democracia.


Sim, há algo de podre na política brasileira, mas enganam-se os que presumem que a podridão esteja só no Legislativo ou que de lá provenha. Para essa há remendos que asseguram a sobrevivência democrática. Em putrefação está a cultura nacional pelo envenenamento de parte de suas fontes de elite: a cultura jurídica, o debate político e a cultura da informação. O péssimo é que, tal como os políticos costumam absolver seus pares, é mínima a probabilidade de que juízes ou professores ou jornalistas reconheçam a responsabilidade que lhes toca nessa podridão. São castas auto-imunes.




















Black blocs e a rabanada democrática, por Miguel do Rosário, no Cafezinho


Reproduzo abaixo mais um violentíssimo (no melhor sentido da palavra) petardo de Wanderley Guilherme dos Santos, no qual ataca os inimigos da democracia. Aproveito para dar alguns pitacos à guisa de introdução e advertência.
É preciso calma. A descoberta de que houve pagamentos a alguns militantes que participaram de manifestações ou eventos correlacionados não significa nada. Não podemos criminalizar uma festinha de Cinelândia. A tabela de pagamentos, com gastos de rabanada, pão, gelo, panfletos, não tem nada de culpável. Não há rojões, granadas, balas, metralhadoras.
Movimentos sociais, partidos, sindicatos, sempre dão ajuda a seus militantes. Isso não é terrorismo. É a vida como ela é. Não há nada de errado nisso. Ao contrário. Acho que essas organizações sociais são até muquiranas demais. Deviam ser mais ainda mais participativas. Pagar passagem de ônibus para os jovens virem das periferias às reuniões no centro da cidade. Dar lanche. Até mesmo uns trocados para a cerveja, de vez em quando.
Não vamos procurar pêlo em ovo. Nem inventar o terrorismo da rabanada. Não vamos criminalizar uma prática normal. Sou totalmente contra a tática black bloc, mas não vamos exagerar. São garotos, ponto. Não tem sentido tratá-los como terroristas.  Apliquem-lhes algumas penas alternativas e está muito bem. Repito: temos que esvaziar nossas prisões, não abarrotá-las ainda mais. Se reiterarem, aí sim, prisão. Leve. Os que não forem tão garotos, aplique-se uma pena diferente. O que não pode é a impunidade total, até porque houve suspeita de participação de milicianos e/ou bandidos em alguns saques e quebra-quebra.
Quanto aos garotos que participaram da morte trágica do repórter, é exagero chamá-los de assassinos. Foi um acidente. Vamos ter bom senso.
O problema aqui é de outra ordem, conforme mostra Wanderley Guilherme em seu artigo. O problema são os “white blocs”, intelectuais que pregam a violência. Isso sim é perigoso. Pregar a violência, tratar a violência como tática política urbana é uma agressão imperdoável à democracia. Isso deve ser combatido duramente. Não com polícia, mas com argumentos, como faz Wanderley.
Uma coisa é uma violência sem controle, causada por gente desesperada, sob forte impacto emocional motivada pela morte de algum jovem querido numa comunidade. Entende-se, mas sabe-se que, mesmo assim, não é o certo a fazer. Uma mente responsável, com acesso a comunidade, deve convencê-la a lutar de forma democrática, registrar denúncia, usar os canais apropriados para obter justiça, organizar-se politicamente, eleger representantes políticos melhores. 
Outra coisa é um professor, friamente, pregar a violência como estratégia política. Particularmente, violência contra patrimônio público. 
Imagino que Wanderley ficou especialmente indignado com a invasão das câmaras e assembléias legislativas, como eu também fiquei. Eu votei em certos candidatos, ainda gosto de vários deles, e quero vê-los trabalhando; não quero que um coxinha revoltado, semi-politizado, semi-retardado, interrompa os trabalhos legislativos para tirar onda de revolucionário. E dá-lhe rabanada e refrigerante!
Esse tipo de ação não muda em nada o status quo, e mesmo que mude, não cria um hábito saudável para a democracia. É preciso estimular a politização, a inteligência, a estratégia, a organização, afinal estamos numa civilização, então precisamos ser civilizados. Francamente, nunca vão me convencer que a melhor forma de melhorar o país é instaurando a barbárie e a selvageria anárquica.
Até porque essa tática pode abrir as portas do inferno. E sempre haverá aqueles que lucram com o caos, e com o sofrimento alheio.
Numa democracia não se ganha no grito. Não se ganha na força bruta. A grande utopia da democracia é a paz. É um regime que depende de um pacto tácito entre seus membros: as contradições, inevitáveis, entre as diferentes forças sociais, devem ser resolvidas pacificamente.
Revolução? Uma revolução também não precisa, necessariamente, ser violenta. A revolução russa de outubro de 1917 aconteceu sem uma morte, sem uma violência. Mais tarde é que, para se consolidar, ela teve que lutar contra as invasões patrocinadas pelos regimes ocidentais. Mas o dia da tomada de poder foi pacífico. Os sovietes convenciam seus pares através da argumentação política.
De qualquer forma, não estamos na Rússia, não há um Czar a ser derrubado. Até se pode entender a juventude, rebelde por natureza. Sejamos compreensivos, mas não condescendentes. É preciso reagir politicamente, não policialescamente. A repressão do Estado tem de ser sempre cuidadosa, mas eficiente  e rápida quando necessária. A democracia, já disse alhures o professor Wanderley, não pode ser suicida, não pode, em nome de uma distorcida visão de liberdade, permitir que jovens mimados destruam o sistema. Até porque, se o permitirmos, os jovens o farão simplesmente por diversão, dado a lamentável falta de discernimento (e a falta do que fazer) da maioria.
Também é estúpido criarmos uma visão livresca da figura do “governo”, como se fosse uma entidade com a qual a sociedade não tivesse ligação ou responsabilidade. Eu vejo colunistas e ativistas falando de “governo” como quem fala de um Estado estrangeiro opressor. Não tem sentido. Nossos governos são democráticos e, como tais, merecem ser respeitados, até para que eles nos respeitem. Podemos fazer oposição, uma oposição radical, dura, ofensiva até, mas sempre com respeito, porque os governantes, assim como os parlamentares, não estão ali por obra divina. O povo os elegeu. Se não respeitarmos governos e políticos, então porque respeitar o Judiciário, por exemplo? Por que respeitar o Ministério Público? Ambas as entidades também oferecem inúmeras vidraças a serem quebradas, e às vezes são mais conservadores e até mesmo mais corruptos que os demais poderes. E não são eleitos. Seria absurdo, porém, conceber um Ocupa Judiciário. Se os jovens querem criar uma comunidade, que o façam. Acampem onde quiserem, mas se quiserem entrar num legislativo, façam-no com o respeito que os valores democráticos determinam. Repito: respeitem para serem respeitados. Um articulista do Globo (da Academia Brasileira de Letras!) disse que o rojão era direcionado à PM, e que, portanto, a intenção era “boa”. Ora, isso é estupidez. Não podemos descontar nossa indignação política nas costas dos trabalhadores sofridos do governo do estado.
Viva a democracia, viva a energia das ruas, mas não nos interessa um gigante mimado e descontrolado, disposto a dançar qualquer música, desde que o paguem bem. Precisamos de movimentos sociais orgânicos, inteligentes, estratégicos, e, sobretudo, democráticos. Com rabanada ou sem rabanada.
Vamos ao artigo de Wanderley.

*
A nova era da violência
Autores intelectuais dos assassinatos já acontecidos e por vir são os whiteblocs. Devem ser combatidos com a mesma virulência com que combatem a democracia
Por Wanderley Guilherme dos Santos, na Carta Maior.
Professores universitários do Rio de Janeiro, de São Paulo e outras universidades falam do governo dos trabalhadores como se fosse o governo do ditador Médici, embora durante aquele período não abrissem o bico. Vetustos blogueiros, artistas sagrados como marqueteiros crônicos, jovens colunistas em busca da fama que o talento não assegura, políticos periféricos ao circuito essencial da democracia, teóricos sem obra conhecida e de gogó mafioso, estes são os mentores da violência pela violência, anárquica, mas não acéfala. Quem abençoa um suposto legítimo ódio visceral contra as instituições, expresso em lamentável, mas compreensível linguagem da violência, segundo estimam, busca seduzir literariamente os desavisados: a violência é a negação radical da linguagem. Mentores whiteblocks, igualmente infames.
A era da violência produziu a proliferação dos algozes e a democratização das vítimas. Antes, a era das máquinas trouxe a direta confrontação entre o capital e o trabalho, as manifestações de protesto dirigiam-se claramente aos capitalistas em demanda por segurança no serviço, salário, férias, descanso remunerado, regulamentação do trabalho de mulheres e crianças. Reclamos precisos e realizáveis. Politicamente exigiam o fim do voto censitário, o direito de voto das mulheres, o direito de organização, expressão e manifestação. Exigiam, em suma, inclusão econômica, social e política.
Os mentores dos algozes possuíam nome e residência conhecida. Os executores eram igualmente identificáveis: as forças da repressão, fonte da violência acobertada pela legislação que tornava ilegais as associações sindicais, as passeatas, os boicotes e as greves. As vítimas estavam à vista de todos: operários, operárias, desempregados, além de cidadãos, escritores e jornalistas solidários com a causa dos miseráveis.
Não há por que falsificar a história e negar que, ao longo do tempo, sindicatos mais fortes e oligarquizados também exerceram repressão sobre organizações rivais, bem como convocatórias grevistas impostas pela coação de operários sobre seus iguais. A era das máquinas não distribuía a violência igualitariamente, mas algozes e vítimas possuíam identidade social clara.
A atual era da violência, patrocinada por ideólogos, jornalistas, blogueiros, ativistas (nova profissão a necessitar de emprego permanente), professores, artistas, em acréscimo aos descontentes hepáticos, testemunha a agregação de múltiplos grupelhos, partidos sem futuro e fascistas genéticos aos tradicionais estimuladores da violência, os proprietários do capital. São algozes anônimos, encapuzados, escondidos nos codinomes das redes sociais, na covardia das palavras de ordem transmitidas a meia boca, no farisaísmo das negaças melífluas.
Os whiteblocs disfarçam o salário e a segurança pessoal nas pregações ao amparo do direito de expressão e de organização. Intimidam com a difamação de que os críticos desejam a criminalização dos movimentos sociais. Para que não haja dúvida: sou a favor da criminalização e da repressão às manifestações criminosas, a saber, as que agridam pessoas, depredem propriedade, especialmente públicas, e convoquem a violência para a desmoralização das instituições democráticas representativas.
As vítimas foram, por assim dizer, democratizadas. Lojas são saqueadas, vidros de bancos estilhaçados, passantes, operários, classes médias, e mesmo empregados e subempregados que a má sorte disponha no caminho da turba são ameaçados e agredidos. A benevolência do respeito à voz das ruas é conivência. Essas ruas não falam, explodem rojões. Não há diálogo possível de qualquer secretaria para os movimentos sociais com tais agrupamentos porque estes não o desejam. E, quando um quer, dois brigam.
A era da violência é obscura. Não me convencem as teorias do trabalho precário porque não cobrem todo o fenômeno, também é pobre a hipótese de uma classe ascendente economicamente com aspirações em espiral (já sustentei esta hipótese), e, sobretudo, não dou um centavo pela teoria de que almejam inclusão social. Eles dizem e repetem à exaustão que não reclamam por inclusão alguma, denunciada por seus professores como rendição à cooptação corrupta.
Os autores intelectuais dos assassinatos já acontecidos e por acontecer são os whiteblocs. Têm que ser combatidos com a mesma virulência com que combatem a democracia. Não podem levar no grito.
onibus-pm-presos-manifestacao
http://www.ocafezinho.com/2014/02/14/black-blocs-e-a-rabanada-democratica

Corpo de cinegrafista é cremado em cerimônia particular


Mais cedo, cerca de 150 pessoas compareceram a cerimônia pública de velório do cinegrafista morto

Em uma pequena sala, reservada apenas para a família e amigos íntimos, o corpo do cinegrafista Santiago Andrade foi cremado por volta de 12h30, desta quinta-feira, 13. O velório, começou por volta das 8h, quando pais e irmãos de Andrade chegaram ao cemitério Memorial do Carmo, no Caju, zona portuária do Rio.

Antes da cremação, o arcebispo do Rio, d. Orani Tempesta, celebrou uma pequena missa, em memória do cinegrafista. Durante o velório, amigos e familiares leram trechos de um texto com características de Andrade. Entre amigos, familiares e profissionais da imprensa, cerca de 150 pessoas compareceram à cerimônia pública, de 8h às 12h, para apoiar a família.

Após a cremação a mulher de Andrade, Arlita Andrade, pediu que a imprensa retrate também coisas boas. "Santiago me pediu para deixar um recado para vocês: ele queria que as lentes de vocês só mostrem coisas boas, coisas lindas. Ele também desejou que Deus proteja vocês, porque é através desse trabalho que a sociedade sabe das notícias, do que acontece no mundo".

Corpo do cinegrfista Santiago Andrade é cremado nesta quinta
Corpo será velado em cerimônia aberta das 7h às 11h no Memorial do Carmo
O corpo de Santiago será cremado no Memorial do Carmo, na zona portuáriaReprodução Rede Record
O corpo do cinegrafista Santiago Andrade será velado em cerimônia aberta nesta quinta-feira (13) das 7h às 11h no Cemitério Memorial do Carmo, no Caju, na zona portuária do Rio. O repórter cinematográfico morreu na segunda-feira (10) devido a complicações após ser atingido por um rojão em uma manifestação contra o aumento do preço das passagens de ônibus na última quinta-feira (6).
Das 11h ao 12h, a cerimônia será apenas para familiares e amigos próximos. Ao término desta, o corpo de Santiago será cremado. Durante a semana, a família autorizou a doação de órgãos do câmera.
Na segunda-feira, horas após a morte cerebral, a filha de Santiago, a também jornalista Vanessa Andrade, emocionou ao divulgar uma carta aberta de agradecimento ao pai. A jovem não demonstrou rancor, apenas lembrou com carinho dos momentos que passou com o pai.
Leia a carta na íntegra:
“Meu nome é Vanessa Andrade, tenho 29 anos e acabo de perder meu pai. Quando decidi ser jornalista, aos 16, ele quase caiu duro. Disse que era profissão ingrata, salário baixo e muita ralação. Mas eu expliquei: vou usar seu sobrenome. Ele riu e disse: então pode!
Quando fiz minha primeira tatuagem, aos 15, achei que ele ia surtar. Mas ele olhou e disse: caramba, filha. Quero fazer também. E me deu de presente meu nome no antebraço.
Quando casei, ele ficou tão bêbado, que na hora de eu me despedir pra seguir em lua de mel, ele vomitava e me abraçava ao mesmo tempo.
Me ensinou muitos valores. A gente que vem de família humilde precisa provar duas vezes a que veio. Me deixou a vida toda em escola pública porque preferiu trabalhar mais para me pagar a faculdade. Ali o sonho dele se realizava. E o meu começava.
Esta noite eu passei no hospital me despedindo. Só eu e ele. Deitada em seu ombro, tivemos tempo de conversar sobre muitos assuntos, pedi perdão pelas minhas falhas e prometi seguir de cabeça erguida e cuidar da minha mãe e meus avós. Ele estava quentinho e sereno. Éramos só nós dois, pai e filha, na despedida mais linda que eu poderia ter. E ele também se despediu.
Sei que ele está bem. Claro que está. E eu sou a continuação da vida dele. Um dia meus futuros filhos saberão quem foi Santiago Andrade, o avô deles. Mas eu, somente eu, saberei o orgulho de ter o nome dele na minha identidade.
Obrigada, meu Deus. Porque tive a chance de amar e ser amada. Tive todas as alegrias e tristezas de pai e filha. Eu tive um pai. E ele teve uma filha.
Obrigada a todos. Ele também agradece."
R7

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